Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

10 RAZÕES PELAS QUAIS OS GAYS NÃO DEVERIAM NUNCA CASAR (e muito menos adoptar)

A propósito do lançamento do MPI no próximo domingo, já começou de novo a celeuma e o disparar de disparates e de manifestações de ignorância e de medo (pânico) irracional relativamente a esta temática.

Assim sendo, vou transcrever um texto jocoso (em inglês) que encontrei no facebook, gozando e imitando a postura dos indivíduos que mencionei na anterior frase. Riam-se e reflictam sobre isto.

01) Being gay is not natural. Real people always reject unnatural things like eyeglasses, polyester, and air conditioning.

02) Gay marriage will encourage people to be gay, in the same way that hanging around tall people will make you tall.

03) Legalizing gay marriage will open the door to all kinds of crazy behavior. People may even wish to marry their pets because a dog has legal standing and can sign a marriage contract.

04) Straight marriage has been around a long time and hasn't changed at all; women are still property, blacks still can't marry whites, and divorce is still illegal.

05) Straight marriage will be less meaningful if gay marriage were allowed; the sanctity of Britany Spears' 55-hour just-for-fun marriage would be destroyed.

06) Straight marriages are valid because they produce children. Gay couples, infertile couples, and old people shouldn't be allowed to marry because our orphanages aren't full yet, and the world needs more children.

07) Obviously gay parents will raise gay children, since straight parents only raise straight children.

08) Gay marriage is not supported by religion. In a theocracy like ours, the values of one religion are imposed on the entire country. That's why we have only one religion in the country.

09) Children can never succeed without a male and a female role model at home. That's why we as a society expressly forbid single parents to raise children.

10) Gay marriage will change the foundation of society; we could never adapt to new social norms. Just like we haven't adapted to cars, the service-sector economy, or longer life spans.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Mamalhoa & Cia.

Para acabar a semana em beleza e entrar no fim-de-semana, deixo uns poucos de vídeos de personificações da soberba Maria Rueff. São simplesmente hilariantes... Disfrutem!

Ana Mamalhoa


Arquivo da RTP


Evangelizar


Couviflor

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

APLAUSOS! (A)O NOVO PARADIGMA




Foi com imensa satisfação e orgulho que li/vi as notícias relativas à reacção de José António Pinto, Ministro da Cultura, face à lei antipirataria promulgada recentemente em França, que permite sanções e privação da utilização da internet a pessoas que façam downloads ilegais.
Ora, para quem anda desatento, ontem José António Pinto condenou esta lei e afirmou que, num Estado de Direito como Portugal, seria inadmissível que se colocassem "vigias" nas pessoas e que lhes fosse castrado o acesso e o direito à informação (no fundo, para quem não é burro, é o que as suas afirmações significam).

É mais do que óbvio que muito rapidamente vieram logo as Marias Ofendidas [leia-se: chupistas das indústrias audiovisuais e respectivos "advogados de defesa" como o MAPiNET ou a ACAPOR (a AFP e o Tozé Brito também não hão-de tardar - vai uma aposta?) e artistas-paus-mandados, ou artistas que fazem bastante dinheiro com as vendas físicas ou com os contratos pré-estabelecedos que prevêm essas mesmas vendas, cujo panorama no estrangeiro costuma ser exactamente igual] acusar o representante da pasta da Cultura de estar meio ché-ché, de ser ignorante face à situação e tinha que vir o cliché tuguês do «Demita-se!».
O ridículo é atingido quando uma das Marias Ofendidas, a Maria MAPiNET, diz não descartar a hipótese de acusar formalmente o Ministro de incitar a prática criminosa com as suas declarações.

Há uns tempos atrás teci uma analogia que considero que volta a fazer sentido...
Em escalas e contextos completamente distintos, a postura e as afirmações dos chupis... **cough cough** representantes das indústrias audiovisuais é em tudo igual à da Igreja Católica quando confrontada com uma mudança de paradigma tão grande que põe em causa a sua existência institucional.


MUDANÇA DE PARADIGMA

Na minha opinião, esta é a expressão-chave que está na origem desta celeuma e que, determina facilmente quem tem razão e quem não tem.

Gostem os chupistas ou não, foi precisamente isto que aconteceu: uma mudança de paradigma, tão brusca e virulenta que não possível ser prevista nem controlada.

Gostem os chupistas ou não, a internet tornou-se a uma velocidade violenta o media de maior importância cultural a quase todos os níveis da vida social e ALTEROU PARA SEMPRE a forma de acesso à informação. Mais, alterou de forma profunda, formas de contacto humano. Mais ainda... a internet mudou, na civilização da aldeia global, a disposição hierárquica da forma e estruturação de pensamento (todos os que estão a ler esta artigo passaram de encadeamentos ideias na vertical - como os nossos pais e avós - para a disposição de pensamento e de manifestações do intelecto em separadores na horizontal... tal como num computador).

Que marcas é que estas manifestações culturais violentas significam?
Tendo em conta que estamos a falar de cultura (mais especificamente, da sua representação sob forma audiovisual), significa sobretudo que a democratização do acesso à informação - que é o porta-estandarte do projecto global - também mudou para sempre as formas de, não só de acesso, bem como da distribuição, de apresentação, de disposição da cultura e das formas de representação cultural... e até mesmo a forma de manifestação artística, principalmente nos campos que remetem imediatamente para o audiovisual, que é o que está em causa.

Significa ainda que, dada a violência - e virulência - da implementação deste novo paradigma nas sociedades, este processo em marcha NÃO PODE SER PARADO. Para as Marias Ofendidas que ainda não enxergaram: isto significa que não será com a promulgação de leis ofensivas e de carácter opressor e totalitário que vão conseguir pôr travão no combóio. Portanto, essas birras não vão valer de nada.

Os meus aplausos ao Ministro da Cultura não são por ele ter comparado o acesso à cultura a achar dinheiro no chão - analogia algo despropositada, já agora. Ora, o Ministro da Cultura não é parvo nenhum e já percebeu há algum tempo - bem como o que está implícito no projecto legislativo do Governo de Sócrates (por muito mau que seja, por muito que não se tenha cumprido e por muito magalhanizado e trapalhão que ficará para a História) as vantagens deste processo e de terem apanhado o combóio a tempo.

O vilão da estória não está, portanto, escondido nos "ladrões" de filmes de álbuns de forma "ilegal". O vilão é a própria indústria que está completamente viciada, minada de artimanhas que não favorecem em nada o artista (ao contrário do discurso que apregoam que mais falacioso não podia ser) e muito menos o consumidor. O vilão é a indústria que coloca um PVP ao público, às vezes superior em 400% ao "preço de fábrica", para pagar uma ninharia aos artistas, para pagar a publishers e marketeers, para pagar a distrubuidoras e às FNAC's para que estas possam pôr um eurito ou dois por cada unidade vendida e, claro, para enriquecer um pouco os cofres, sobretudo das grandes multinacionais e dos respectivos CEO's e administradores. E é precisamente o vilão que o Maestro Vitorino de Almeida, Tozé Brito, Pacman, Toy, João Gil, Luís Represas ou a Mariza estão a defender no contexto nacional. Mas tendo em conta que são artistas com carreiras consolidadas, boas relações com as respectivas editoras e que já ganham algum com royalties (ainda que em Portugal isso não seja nada, comparado com a indústria fonográfica britânica, por exemplo), não é difícil de perceber porque é que estão a vender o peixe do Diabo.

A tónica da questão, no fundo, é óbvia e a solução do problema é mais simples do que parece. E eu também já falei disso noutros "sítios".
É a indústria audiovisual que tem de decidir no meio de um dilema. Tem duas hipóteses: ou pára de espernear e aceita de uma vez por todas que o modelo que vigorava e onde podia reinar a bel-prazer acabou e mudou para sempre; ou decide continuar a choramingar e vai continuando a ser vencida por este contexto, morrendo aos poucos, como já vem acontecendo. As Marias Ofendidas parecem preferir a segunda hipótese, mas o problema é delas.
E as Marias Ofendidas respondem-me: «O problema não é só nosso, é também das pessoas que serão despedidas com o declínio da indústria».
E a mim caberá retorquir: «Se se convencerem de que esta indústria pode continuar a existir de acordo com as regras do novo paradigma, isso talvez não aconteça. Esta não será a primeira nem a última indústria/instituição a ter que sacrificar os recursos humanos por mudanças bruscas no panorama. Caso contrário, sempre podem usar o argumento da tão famigerada crise».

Compete aos representantes da indústria convencerem-se de uma vez por todas de que não estamos na década de 1920, em que têm lucros milionários à custa de gravações básicas de cantores e músicos de blues que eram então tão fáceis de explorar...

Domingo, 10 de Maio de 2009

O Senhor Extraterrestre



Estou viciado nesta canção!
A primeira vez que ouvi falar dela foi quando me falaram da capa do single, que tem o desenho de uns OVNI's. E eu pensei cá para mim: «o que é que OVNI's e extraterrestres têm a ver com a Amália?»

Mais tarde descobri que é um tema escrito por Carlos Paião (só podia!) e que a Dona Amália gravou em 1982. É uma canção bastante atípica para aquilo que estamos habituados da Amália, especialmente na parte lírica. Mas a letra está tão bem escrita, é tão engraçada e inteligente, e a Amália está com um ar tão... "divertido" neste vídeo da Grande Noite do Fado de 1982, que achei que seria um crime se não partilhasse isto com vocês.
Disfrutem!...







O Senhor Extraterrestre

Vou contar-vos um história
que não me sai da memória,
foi p'ra mim uma vitória
nesta era espacial.
Noutro dia estremeci
quando abri a porta e vi
um grandessíssimo ovni
pousado no meu quintal.
Fui logo bater à porta,
veio uma figura torta,
eu disse: se não se importa
poderia ir-se embora,
tenho esta roupa a secar
e ainda se vai sujar
se essa coisa aí ficar
a deitar fumo p'ra fora.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse "pi",
estava mal sintonizado.
Mexeu lá o botãozinho
e pôde contar-me então
que tinha sido multado
por o terem apanhado
sem carta de condução.

O senhor desculpe lá,
não quero passar por má,
pois você onde está
não me adianta nem me atrasa.
O pior é que a vizinha
que parece que adivinha
quando vir que estou sozinha
com um estranho em minha casa.
Mas já que está aí de pé
venha tomar um café,
faz-me pena, pois você
nem tem cara de ser mau
e eu queria saber também
se na terra donde vem
não conhece lá ninguém
que me arranje bacalhau.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse "pi",
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho,
disse para me pôr a pau,
pois na terra donde vinha
nem há cheiro de sardinha
quanto mais de bacalhau.

Conte agora novidades:
É casado? Tem saudades?
Já tem filhos? De que idades?
Só um? A quem é que sai?
Tem retratos com certeza,
mostre lá? Ai que riqueza,
não é mesmo uma beleza,
tão verdinho? sai ao pai.
Já está de chaves na mão?
Vai voltar p'ro avião?
Espere, que já ali estão
umas sandes p'ra viagem
e vista também aquela
camisinha de flanela
p'ra quando abrir a janela
não se constipar co'a aragem.
E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse "pi",
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
e pôde-me então dizer
que quer que eu vá visitá-lo,
que acha graça quando eu falo
ou ao menos p'ra escrever.

E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar mas disse "pi",
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
só p'ra dizer: "Deus lhe pague".
Eu dei-lhe um copo de vinho
e lá foi no seu caminho
que era um pouco em ziguezague.

Sábado, 9 de Maio de 2009

Amália... Hoje?



Com a meditização que teve, e tendo em conta o nome para o qual reporta, não foi difícil ao projecto Amália Hoje chegar ao primeiro lugar da tabela nacional de vendas.

Contudo, já voltei a ouvir estas novas versões, continuo a não gostar do disco e dificilmente mudarei a opinião.
Não acredito que o problema deste meu "desgosto" consista estilo da Sónia ou do Fernando, dos quais até gosto bastante. O problema começa e acaba logo com a abordagem que se escolheu para homenagear uma artista como a Amália - com todas as implicaturas que isso tem.

Sim, os novos arranjos são interessantes ("profissionais", vá...), as performances idem, mas continuo a ter a opinião de que quando se pega num género (do mais folk que pode existir) como o fado, há que ter muito cuidado com as (re)interpretações que se lhe fazem para não desvirtuar demasiado a essência do que foi originalmente concebido. No Amália Hoje isso não foi obviamente isso em conta, e isso torna-se óbvio, mesmo que gostemos das canções e do que estamos a ouvir. Por mim, só por isso fica a perder. Do meu ponto de vista, descaracterizou em excesso precisamente aquilo que torna aquelas canções interessantes, e em algumas, quase que se limitaram a fazer hipotéticos covers da Amália com um "estilo The Gift".

Apartir do momento em que alguns dos integrantes do projecto dizem em entrevistas que apenas conheciam o trabalho de Amália de forma superficial e que não o ouviam muito, está tudo estragado à partida.
Se não conhecem a "essência Amália" (que não é exactamente igual do que conhecer a essência do Fado - cá estão as implicaturas, algumas delas de ordem cultural, e logo, do ponto de vista da concepção artística), o que é foram fazer para um estúdio com aquelas canções? Brincar aos tributos? Aos experimentalismos?
Nuno Gonçalves quis as guitarras portuguesas de fora. Okay, aceitável. Mas as guitarras portuguesas atribuem uma determinada textura e força ao fado e, nomeadamente, às canções de Amália. E onde é que está o elemento de substituição para essas texturas? É que a parte orquestral não está a fazê-lo... Também não consigo entender o porquê de ter alterado visivelmente as melodias (e respectivas progressões melódicas) de alguns desses temas.
Não acredito que teria sido com versões de pop alternativa (que é o que os The Gift representam) e com arranjos orquestrais bonitos acoplados que se safam...

Há canções, há melodias, e há catálogos de artistas que são tão poderosos, tão épicos, tão únicos e tão intemporais que, de tão actuais que sempre serão, não precisam que lhes façamos updates ou reinvenções rebuscadas. A Amália é um desses casos mais óbvios.

Sim, o fado é popular, mas "ser popular", Hoje, já não significa forçosamente "ser pop"!
...E no Amália Hoje essa permissa foi ignorada.

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

"Magnificent" - o vídeo

E, finalmente (!), foi desvendado o vídeo para o segundo single de No Line On The Horizon, "Magnificent". Da autoria de Alex Courtes (que também fez o anterior "Get On Your Boots", bem como "Vertigo" e "City Of Blinding Lights"), o vídeo foi rodado na cidade de Fez, em Marrocos, onde a banda gravou o álbum. A catedral onde a banda toca é precisamente aquela onde decorreram as sessões de gravação e de composição. Já o castelo com uma extensa muralha e murada não é novo para a banda, já que também uma das imagens de fundo do vídeo para "Mysterious Ways" (1991).
Tem um trabalho de fotografia agradável, mas esperava bem melhor para a ilustração da melhor faixa do álbum.

Aqui fica o video.

Já agora deixo o comentário relativo à promoção do mais recente disco dos U2 que tem sido... paupérrima.
Escolheram um primeiro single de curta duração com um riff catchy, mas que alterna em demasiadas estruturas e que não é radiofriendly, "Get On Your Boots". Não houve um anúncio de televisão em horário nobre nos principais mercados, nem a associação a outros patrocinadores - no How To Dismantle An Atomic Bomb houve a parceria (abusiva, quase) à Apple, por exemplo. Como consequência, "Get On Your Boots" conseguiu chegar ao Top 40 americano e aguentar-se bem nas tabelas de rock, mas não foi além do #12 no Reino Unido (posição mais fraca de um single da banda desde If God Will Send His Angels" em 1997).
Para ajudar à festa, apesar de terem escolhido a melhor e mais bem recebida canção do álbum para segundo single (o que deixava antever uma estratégia idêntica à do Achtung Baby em 1991, com "Mysterious Ways" a tomar o lugar de porta-estandarte que "The Fly" não conseguiu) - "Magnificent", demoram 2 meses e meio a gravar um videoclipe mediano e a pôr o single a rodar nas rádios oficialmente. Para terminar, em vez de apostarem numa boa forma de apelar à compra - física ou digital - do single, optam por continuar a senda dos b-sides de merda (é este mesmo o termo) que não interessam a ninguém. Não seria extremamente atractivo, escolher "Winter" como b-side e oferecê-la ou comprá-la juntamente com a "Magnificent" a €1, por exemplo?
Uma vez mais, como consequência, "Magnificent" já atingiu o seu pico no Hot 100 americano (no #79), já teve posições de destaque nas tabelas rock mesmo sem lançamento oficial (exclusivamente com airplay) e... agora que se decidiram a lançar o single, a canção já começou a fase descendente nas tabelas.

Boa!...

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Tata Nano: a Revolução!

Já começou a ser mediatizado cá para os lados do Velho Continente a mais recente pedrada no charco da indústria automóvel indiana para o Mundo. Estou obviamente a falar do Tata Nano.







Não acredito que haja alguém que ainda não tenha ouvido falar do mais recente "esquema" da companhia de Ratan Tata, mas supondo que haja quem ainda não conheça este ratinho, aqui vai.
O Tata Nano é (para nós) um citadino com 3,10 metros de comprimento - portanto, maior do que um Smart (2,7m), mas mais curto do que um Twingo (3,6m) - com capacidade para 4 pessoas, se bem que na Índia irá transportar muito mais do que 4 pessoas. Será equipado com um motor de dois cilindros a gasolina com 33 cv de potência que permitem uma velocidade máxima de 120 km/h (o Smart não dá muito mais do que isso). Foi inicialmente concebido para custar cerca de "300 contos" no mercado doméstico, a emergente Índia.
Para além disso, o motor e a tracção são... atrás, tal como em muitos automóveis do tempo dos nosso pais e avós - e esta é uma solução de engenharia que tem sido recuperada nos últimos 5 anos para projectos futuros (Smart, na VW ou na Fiat/BMW).

Mas o melhor de tudo é aquilo que o Nano representa para a Índia e para o mercado global. Mais do que um citadino sem luxos, o Tata Nano é... O MOTOR DA ÍNDIA, tal como o Citroën 2CV e o VW Carocha foram para a França e para a Alemanha, respectivamente, durante a reconstrução e a recuperação do pós-guerra!
Para quem não sabe, apesar do gigante número de habitantes, a Índia tem um índice de automóvel por pessoa baixíssimo. A maioria dos indianos não tem dinheiro para um meio de transporte pessoal e os que o têm, optam por comprar motorizadas com qualidade de construção pobre e motores insuficientes, mas onde chegam a transportar famílias de 4 e 5 elementos - isso mesmo, todos em cima da moto.

Foi então que Ratan Tata começou a engendrar uma forma de pôr, rapidamente, a Índia sobre rodas, e eis que começou a desenvolver o Nano.
O Nano irá custar cerca de €2500 para o mercado doméstico, preço que corresponde apenas a um pouquinho mais do que uma dessas motorizadas na Índia. Para além disso, é suficientemente compacto para se movimentar nas caóticas e poluentes grandes cidades indianas e já pode transportar de forma mais confortável a sua família de 5 ou 6 elementos (mesmo que, oficialmente, o Nano só possa transportar 4... mas a Índia não tem a BT da GNR nem coisas parecidas) e alguma pouca bagagem.

Como é que Tata conseguiu que esta coisa custasse tão pouco? Para começar, a mão-de-obra na Índia é suficientemente barata, mas não é suficiente para este preço de arromba. Depois, o recurso a uma engenharia inteligente e inovadora nesta indústria, bem como o uso de componentes baratos de produzir ajudaram. Para além disso, os painéis da carroçaria do Nano são feitos de plástico ultra-resistente - e não, não se parte como o plástico dos tupperwares, este tipo de plástico já foi usado nos anos 70 em automóveis e é o futuro da indústria quando o aço e o alumínio não derem para mais - e em vez do processo soldadura do aço, os mesmos painéis, bem como inúmeras outras peças, são fixadas e montadas graças a uma cola especial desenvolvida especificamente para este propósito. A ajudar à redução de custos, a qualidade dos materiais no interior é, naturalmente, pobre e o equipamento foi reduzido ao estrictamente necessário, havendo, no entanto, versões mais bem equipadas como a desportiva (nas fotos, com pintura amarela).

É mais do que óbvio que logo se apressaram as vozes críticas a surgir, afirmando que o Nano é o mote para a sobre-lotação do parque automóvel indiano, contribuíndo ainda mais para que a Índia seja um dos principais cancros de poluição do Mundo, factor que irá agravar-se com o constante crescimento económico-social-industrial-etc deste país.
O que essas vozes se esquecem é que nós europeus já fizemos exactamente o mesmo há 60 anos e que os indianos apenas estarão a dar essa mesma oportunidade a eles mesmos.

«Eu não quero essa coisa cá! Deus me livre comprar isso, prefiro um Corsa de 1990 com 300 mil kms!»

Este é o comentário mais frequente do average-tuga com reduzida massa encefálica (ou seja, a maioria) pelos fóruns de automóveis e em comentários a notícias sobre o novo Tata.
Tudo isto porque a Tata já anunciou planos para comercializar o Nano por cá. A versão europeia foi apresentada há bem pouco tempo no Salão de Genebra... e é substancialmente diferente do que havia sido apresentado para o mercado indiano. E ainda bem! O mercado europeu, sendo o mais exigente do Mundo, não admitiria que uma coisa dessas fosse vendida por cá... pelo menos tal como havia sido apresentada na primeira ocasião.
Para além das inúmeras alterações estéticas que o tornam um carrito engraçado (e arriscava a dizer bonito - mais bonito, pelo menos, do que muita trampa que por aí anda, mas de que o Zé Povinho gosta muito), o Nano foi profundamente alterado para o mercado europeu, de forma, não só a cumprir todas as normas de segurança/poluição/homologação da UE, mas a agradar um pouco mais ao consumidor europeu. De qualquer forma, o Nano será sempre um automóvel que encaixa que nem uma luva no conceito de low cost cuja visibilidade e sucesso comercial são crescentes na Europa. Sabe-se que as versões europeias irão dispor de um motor ligeiramente mais potente e menos poluente, e que o equipamento será bem mais rico, dispondo todas as versões de ABS e de airbags, entre outros. Ratan Tata afirmou ainda que pretende que o Nano atinja, pelo menos, 4 estrelas nos testes do Euro NCAP e que, caso contrário, os planos de comercialização na Europa serão suspensos. Aguardamos com curiosidade os testes.




Entretanto, algumas publicações da imprensa automóvel já tiveram a oportunidade de guiar este ratinho e... (surprise!), as reacções foram bastante positivas. É mais do que óbvio que os jornalistas já sabiam que o interior vinha despido de equipamento e de plásticos de qualidade, e que a carroçaria tem uma altura que faz subir o centro de gravidade, mas todos eles se mostraram entusiasmados com a condução do pequeno Nano, principalmente em circuito citadino e que comporta-se bastante bem para o tipo de carro que é. Recordo que o Nano pesa apenas cerca de 600 kgs (um Twingo ou um smart pesam pelo menos 850 kgs), o que facilita a maneabilidade do carro e que possibilita que o carro seja minimamente veloz, mesmo com um motor com tão pouca potência. Por falar em motores, sabe-se que a Tata está a desenvolver para este o mais barato carro do Mundo uma versão eléctrica e outra... com um motor a ar comprimido!

Por mim, aguardo com curiosidade o Nano, pois não é todos os dias que o Mundo vê nascer automóvel tão peculiar e com importância cultural tão grande.

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

U2: novo álbum... outra vez? Já?


...Então mas ainda na segunda-feira foi lançado o No Line On The Horizon!
Pois é, o novo álbum dos U2 ainda agora foi lançado tendo sido disco de platina (20 mil cópias) no espaço de horas, e já começam a surgir rumores sobre o seu sucessor.

Sim, os U2 entraram numa rotina preguiçosa de lançar álbuns a cada 4 anos (por média) desde os anos 90, mas há excepções à regra. Quem não se lembra do Zooropa (inicialmente pensado para ser um EP, mas evoluíu para o mais alternativo e oblíquo álbum dos U2), lançado a meio da Zoo TV Tour, apenas um ano e meio depois do Achtung Baby?

Ao que tudo indica, os U2 preparam-se para fazer a dobradinha, tal como há 16 anos! E membros da banda confirmam-no.
Sabe-se que sobrou bastante material das últimas sessões de gravação, inciadas em Marrocos, de onde saíu No Line On The Horizon. Também se sabia que uma das hipóteses iniciais era um álbum duplo, com os títulos "Darknes" e "Daylight" para cada disco.
Por outro lado, há vários meses que os U2 têm como garantida intenção de lançar mais material rapidamente e que tinham assente a ideia de dois álbuns.
Então, o Bono confirmou na segunda-feira aquilo que Larry Mullen Jr já havia avançado: a intenção de lançar um novo disco lá para meados de 2010 com base no que não foi incluído no mais recente lançamento. O Bono confirmou ainda que este segundo registo será mais pacífico, contemplativo e reflectivo do que No Line On The Horizon.
Os rumores dão conta de que o novo registo irá abarcar algumas paisagens sonoras mais experimentais que foram guardadas para este projecto. Isto corrobora a ideia de que os U2 sempre tiveram nos seus planos lançar um álbum do tipo Zooropa ou Passengers, tal como as primeiras fontes de informação sugeriam em 2007, aquando das sessões em Marrocos - exactamente como referi no artigo para a BLITZ em Janeiro de 2008 (recordam-se?).

Agora aquilo que consta é que o álbum até já tem título!: ... Songs Of Ascent (pela boca do Bono e mencionado em letras garrafais no booklet do mais recente lançamento). Para quem não sabe, poderá ser uma referência aos Salmos dos Degraus da Subida na Bíblia (e "ascent" é sinónimo espiritual para... "Elevation"!) que fazem referência à peregrinação a Jerusalém.
Bono também sugere que que o single de apresentação de Songs Of Ascent possa vir a ser "Every Breaking Wave" - tema que a revista Q referiu e descreveu aquando do final das sessões de gravação de No Line On The Horizon como uma densa canção pop com sobreposição de diversas camadas electrónicas e que abre com o verso «Every sailor knows that the sea is a friend made enemy».
O livro da edição limitada de No Line On The Horizon tem fotos que incluem (propositadamente) o nome de temas não incluídos no alinhamento final: "Tripoli" (que foi escutada por alguns jornalistas em Novembro e descrita como bastante épica, algo experimental, electrónica e dividida em secções distintas), "Kingdom Of Your Love", "Thank You For The Day", "Not As Yet", "Diorama" e "Pilgrim's Lack Of Progress - House Of Abraham". Por outro lado, até mesmo uma versão polida de "Winter" (canção de 6 minutos incluída no filme Linear que é um bónus do mais recente álbum) poderá estar presente no futuro disco.

Cá estaremos à espera da sequela de No Line On The Horizon e do que se seguirá.

Entretanto, parece que o segundo single de No Line On The Horizon será "Magnificent" - por agora, a minha preferida e a mais bem recebida pelo público, críticos e fãs. Seria a melhor opção para segundo single e para recuperar da recepção morna a "Get On Your Boots" em airplay que não é o típico primeiro single.
...(uma vez mais) tal como aconteceu com o Achtung Baby em 1991 em que "The Fly" - atípico single de estreia com recepção morna - foi rapidamente substituído pelo bem mais apelativo às massas "Mysterious Ways"!

Mariza e Buraka Som Sistema arrasam nos States



Quem me conhece, sabe bem que, se há coisa para a qual nunca tive pachorra é para nacionalismos histéricos e para "devoções submissas à pátria". Mas há coisas que merecem ser noticiadas e celebradas, principalmente quando se trata da exportação de produtos artísticos que, quer queiramos, quer não, espelham pelas outras culturas a uma identidade da nossa.

Os Buraka Som Sistema têm estado a actuar nos Estados Unidos e Canadá, numa pequena digressão por festivais que irá durar até Maio, promovendo o seu disco Black Diamond, que está a fazer furor em mercados como o americano e, principalmente, o britânico, de onde faz parte da principal tabela de vendas. Agora prepara-se para fazer parte do conceituado Coachella festival, onde Paul McCartney irá actuar também.

Já Mariza também tem estado a arrasar. Para além da intensiva digressão do outro lado do Atlântico Norte, Mariza está há diversas semanas na Billboard com o último disco, Terra, que esta semana subiu até ao 5º lugar, enquanto que no Canadá ascendeu ao 3º posto nas vendas.

Domingo, 1 de Março de 2009

Homem-Aranha com data de estreia na Broadway


Já foi publicado o primeiro cartaz promocional sobre a história do Homem-Aranha transposta para um musical a estrear na Broadway. O projecto, dirigido por Julie Taymor (conhecida pelo musical de O Rei Leão e pelo filme-musical Across The Universe de 2007, baseado inteiramente em canções dos The Beatles), com música composta por Bono e The Edge dos U2, está previsto estrear no dia 18 de Fevereiro de 2010. Intitulado Spider-Man: Turn Off The Dark, sabe-se que, musicalmente, a dupla irlandesa concebeu o espectáculo de modo a que funcione em torno de uma banda acompanhada de uma orquestra e um grupo pequeno de músicos.

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Volvo, Saab e Opel dizem adeus às saias das mamãs

No espaço de uma semana assistimos ao anúncio de que três construtores europeus da indústria automóvel vão desprender-se dos grandes grupos a que pertenciam.

//VOLVO:
Depois de ter vendido as britânicas Land Rover, Jaguar e os direitos de utilização do nome da (extinta) Rover aos indianos da Tata - que têm planos ambiciosos para as três que não pretendem afectar o carácter das marcas (pelo contrário, pretendem preservar... pois é isso que lhes dá imagem de marca), a Ford anunciou que vai...
...vender a Volvo aos chineses da Dongfeng.
Para quem não se lembra, a Volvo é o construtor sueco que, nos anos 70 e 80, era o símbolo internacional da Suécia, com maior importância no Mundo (até mesmo mais importante do que os ABBA), (re)conhecido, sobretudo pela robustez dos seus modelos e pelas tecnologias e estudos inovadores no campo da segurança activa e passiva.

//SAAB e OPEL:
Na semana passada foi anunciada a desvinculação da sueca Saab face à General Motors. Hoje foi a vez de a alemã Opel anunciar o mesmo. A Saab é conhecida pela qualidade dos seus modelos, pelas origens e influências na aviação, pelas versões Aero e pelo carácter distinto. Já a Opel pertence à GM desde a década de 1920 e, durante muito tempo, foi considerada uma marca com produtos topo-de-gama, virando-se para os segmentos mais compactos apartir da década de 60, de onde saíram as mundialmente populares gerações Corsa, Kadett, Astra e Vectra. O Governo sueco já revelou que vai auxiliar a Saab nos primeiros tempos e que irá ajudar no planos de reestruturação e de manutenção da fábrica na Suécia. Já Angela Merkel ainda não se pronunciou relativamente ao futuro da Opel, mas as perspectivas do governo não parecem optimistas relativamente a "ajudas".

//CONSIDERAÇÕES e CONCLUSÕES: //1: Apesar da Ford se ter livrado dela, a Volvo foi, até há poucos anos, a par da Ford Europa, a única divisão do grupo a conseguir apresentar resultados positivos. A Volvo traz com ela da Ford: a plataforma do actual Mondeo (Volvo V70/S80), do actual Focus (Volvo S40/V50) e já traz na forja o futuro S60, praticamente desenvolvido. Para além disso, é provável que continue a ser-lhe garantido o acesso aos motores turbodiesel, desenvolvidos em parceria com a Peugeot/Citroën-PSA.

A GM quis livrar-se da Opel e da Saab, mas...
//2: Saab ficará com a fábrica de Trollhattan - que é sua por direito (mas onde a GM meteu o bedelho para produzir Saab's disfarçados de Cadillac), com os novos motores turbodiesel e... com o acesso à plataforma do novo Opel Insignia e do futuro Opel Astra (sobre as quais vão ser brevemente lançados os novos 9-5, 9-3 e 9-1). Já a Opel, é provável que fique com Rüsselsheim, com as novas plataformas e com alguma tecnologia.

//3: Se no caso da Volvo o futuro é mais risonho pois, apesar da usurpação da tecnologia e dos direitos da marca por parte dos chineses, o imenso capital com que devem ter entrado deverá garantir à sueca a sobrevivência sob a alçada do grupo chinês; já no caso da Saab e Opel, o futuro é incerto. Certo é que, nos dias de hoje, nenhum construtor consegue sobreviver sozinho. Ou a Saab e a Opel criam uma aliança (perfeitamente viável, tendo em conta o imenso número de órgãos industriais em comum que partilhavam dentro da GM) ou terão que associar-se cada uma a diferentes grupos industriais. A Renault quereria, talvez, ficar com a Saab, mas... e a Opel?

//4: A verdade é que os gigantes americanos puseram-se a comprar marcas europeias a torto-e-a-direito, por questões de tecnologia, de penetração de mercado e de marca (e isso os europeus têm de sobra nos States) e agora que a crise bateu à porta, toca a vendê-las de novo. A conclusão mais óbvia que se tira é que a Ford e a GM estão a proteger os logótipos americanos e a identidade nacional (Ford, Mercury, Lincoln, Saturn, Pontiac, Chevrolet - a maioria delas, com produtos maus que dão prejuízo há muitos anos) quando fôr a hora de apelar ao Senado norte-americano para poder receber as linhas de crédito que Obama já disse que ia disponibilizar.
Agora, será que isto vai servir de alguma coisa? Tenho dúvidas, até porque os norte-americanos têm, há décadas dificuldade de penetração nos mercados exteriores à América do Norte.

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

A doença do SETAGANSO - editorial Destak 12/02



A partir de hoje, passará a haver aqui no ZOOROVISION, mais um grupo de temáticas que julgo extremamente importantes e pertinentes. Trata-se, não só da questão do casamento civil e da alteração da lei do casamento contemplando pessoas do mesmo sexo, mas também todas as linhas de pensamento que este tema desencadeia: homossexualidade, orientação sexual, homofobia e heterossexismo, activismo político-social, entre outras.

O que é que me fez desencadear estes tópicos no ZOOROVISION? Em primeiro lugar, o chorrilho de disparates e de homofobia camuflada que os media têm oferecido às pessoas através dos debates, de entrevistas e de comentários a artigos online.
A gota de água foi, no entanto, o editorial do jornal gratuito Destak, pela mão da jornalista e escritora Isabel Stilwell, publicado no passado dia 12 de Fevereiro. Cliquem no link e leiam o artigo proporcionado pela senhora.
O que publico a seguir é o comentário que enviei para lá, expressando a minha indignação mas, sobretudo, o meu desapontamento. Tirem as vossas conclusões (não é difícil de chegar a alguma).

Tendo em conta a postura adoptada pela Isabel Stilwell nos textos em se que pronuncia, sempre a tive como uma pessoa informada, coerente e inteligente, mesmo que alguns editoriais do Destak sejam menos felizes (o que pode acontecer a qualquer um) - e que é o presente caso.

Para além da falta de informação que o seu texto denota, a Isabel evidencia sofrer da doença do SETAGANSO: ou seja, do Síndrome do "Eu tenho amigos gays, portanto, não sou homofóbica". Nada mais errado. Homofobia não é apenas o bullying a crianças homossexuais na escola ou na rua e não é o despedimento de uma lésbica em função da sua orientação sexual. É muito mais do que isso e é o que vem a seguir ao heterossexismo, se traçarmos um contínuo ideológico em que, apesar de ambos serem formas de discriminação, a homofobia é mais grave pois transcende diversos limites, mesmo que os que a pratiquem não se apercebam - que foi o caso da Isabel Stilwell neste pequeno apontamento.

Nunca pensei que fizesse parte do grupo dos que vem utilizando frequentemente a instituição casamento, simultaneamente, como arma de arremesso e como escudo protector face à homofobia camuflada e socialmente aceite.

O casamento:
1) Não é objecto de pertença de qualquer instituição religiosa;
2) Não é objecto de pertença de quaisquer grupos sociais.
3) Por outro lado, a Isabel sabia que a sociedade sofreu tantas alterações nos últimos séculos que, culturalmente, a simbologia da instituição casamento pouco ou nada tem a ver com aquilo que seria, provavelmente na sua génese cultural? Alguma vez se apercebeu disso?

Alguma vez reflectiu sobre a razão de o Estado ter tido a necessidade de separar o trigo do joio e de criar a noção de casamento civil (que a Igreja Católica não reconhece sequer)? Não me diga que ainda não percebeu que é do casamento civil que a discussão tem sido envolta (e que é isso que importa mudar) e que não se trata do sagrado matrimónio...

Ou então, tal como a Igreja Católica fez recentemente, vai-me dizer que é "antropologicamente incorrecto" (gostava de saber que estudos antropológicos tiveram em conta, mas enfim...)?

Todavia, se formos a analisar a questão do ponto de vista psicológico, qualquer pessoa que se veja ofendida ou que ache que o casamento (ou seja que forma de união sentimental for) serve para a procriação e que corrobore com o argumento da "continuidade da espécie" está, obviamente, com problemas de homofobia, isto é, tem questões mal resolvidas relativamente a medos irracionais para com uma realidade alheia (neste caso, a homossexualidade) devido à sua estrutura de valores. Agora... justificar a sua opinião com uma base económico-financeira? Que baixo! Esperava isso de Manuela Ferreira Leite, não de uma jornalista como a Isabel!...

A proposta de Sócrates é sinónimo de oportunismo político? Sem dúvida nenhuma! Mas isso não invalida que se altere aquilo que é correcto (e inconstitucional, ainda por cima - e isso é gravíssimo!). Ah, e o argumento do "numa altura de crise, há outras prioridades" não tem qualquer validade, porque: esta medida não irá a afectar ninguém (bem pelo contrário) e porque toma apenas alguns minutos numa sessão da Assembleia.

Como representante de uma instituição dos media (que ainda para mais nem sequer tem uma posição extremista, seja à esquerda, seja à direita) que é, é vergonhoso que o Destak tenha contribuído para mais uma forma de discriminação da homossexualidade e para o separatismo heterossexista da sociedade portuguesa. Como leitor assíduo do Destak, foi uma autêntica desilusão ter lido este editorial.

Independentemente de ser aceite ou não, este comentário será, naturalmente lido, e será publicado de outras formas, na íntegra ou parcialmente.

Lido o meu comentário, apenas tenho a acrescentar que, pior do que a opinião de Isabel Stilwell, é o facto de o Destak ter compactuado com isso, principalmente se tivermos em conta que é um jornal de distrubuição gratuita - ou seja, tem um publico do mais vasto que se pode imaginar em Portugal - e que, portanto, tem uma enorme responsabilidade na publicação de textos de opinião que são, muitas vezes, os objectos de educação das massas relativamente às mais diversas temáticas sociais. É portanto, vergonhoso que um jornal com o peso do Destak tenha deixado isto acontecer.

De facto, «Ninguém escolhe ser homossexual» (nem heterossexual, a orientação sexual é isso mesmo: uma orientação, não uma opção). Mas cada um de nós pode escolher, construír, compensar, alterar e melhorar, todos os dias, a nossa forma de estar perante nós mesmos, perante os outros e perante o Mundo. É pena que muitas pessoas não tenham essa capacidade.