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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Indústria Automóvel + Crise = o descalabro / Vêm aí dias difíceis


Ontem foi chumbada a proposta de 35 mil milhões de dólares para auxiliar os três grandes americanos - General Motors, Chrysler e Ford. O senado recuou na aprovação da proposta por causa da pressão dos sindicatos em recusar ligeiro decréscimo salários e manter as regalias e luxos que as empresas americanas são obrigadas a oferecer aos trabalhadores e ex-trabalhadores. Se o Estado norte-americano tivesse aprovado este plano, passaria a deter a maior parte das acções destes construtores o que significava que estavam... nacionalizados.
Custa-me a acreditar, por isso, que senado e sindicatos prefiram o cenário que aí vem do que a salvação da indústria que garantir-lhes-ia o futuro.

Apesar da situação do grupo Ford não ser famosa, a casa-mãe disse não ter (por enquanto) problemas de liquidez - muito graças à performance da Ford Europa. Já a GM e a Chrysler afirmam não terem liquidez suficiente para se aguentarem nos próximos meses. A Chrysler diz mesmo que não sabe se aguenta até ao final do primeiro trimestre de 2009.

O que é que isto significa?
Se a Chrysler e (principalmente) a GM falirem... será o caos. Harry Reid, chefe da maioria democrata, prevê o desemprego para milhões (não milhares, atenção!) de pessoas nos Estados Unidos.
Volto a chamar à atenção para o caso de a General Motors (ou/e a Ford) falirem... será o início de uma gravíssima depressão económica à escala mundial.

Enquanto isso, correm rumores e mais rumores pelos corredores da imprensa.

A GM quer desfazer-se da Saab e a Ford da Volvo. Ambas suecas, o governo sueco já afirmou disponibilizar 28 mil milhões de coroas suecas (2,64 mil milhões de euros) numa espécie de linha de crédito para a Saab e para a Volvo e nacionalizá-las por período indeterminado enquanto novos investidores não surgirem. Cá por mim, preferia ver a Saab e a Volvo juntas numa aliança como a PSA (Peugeo-Citroën) ou a franco-nipónica de Carlos Ghosn (Renault-Nissan).

Aqui pelo sul da Europa, o CEO da Fiat, Sergio Marchionne, disse que é urgente a fusão ou aliança do Grupo Fiat (Alfa Romeo, Fiat, Lancia, Maserati, Iveco, Ferrari) a outro grande construtor, no prazo de dois anos, para poder sobreviver. Recorde-se que a Fiat esteve à beira da falência entre 2002 e 2005 e que, depois de uma parceria desastrosa com a GM, os lucros espantosos dos últimos três anos ainda não garantiram um futuro risonho aos italianos. Segundo a previsão de Marchionne, apenas 6 grandes construtores irão sobreviver ao actual panorama.

Todos os quase todos os construtores de automóveis mundiais estão no vermelho e as vendas caem a pique... até na China! A Toyota que vinha crescendo fulgorosamente e ameaçando a GM no primeiro lugar, apresentará prejuízos, pela primeira vez em muitos anos, em 2008.

O final da telenovela não de afigura muito feliz, mas vamos aguardar pelos próximos episódios e esperar que nós também não sejamos afectados. Por cá, José Sócrates continua a fazer acreditar que está tudo bem...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Americanos: o colapso económico por um fio - Capítulo 3


Anunciado há dois dias:
A General Motors pode não ter liquidez suficiente para sobreviver... até ao final do ano! Os prejuízos do maior dos gigantes mundiais da indústria automóvel chegaram aos 4 mil milhões de dólares no último trimestre.

Anunciado hoje: Se não conseguir a fusão com outro construtor ou a injecção de capital urgente, a Chrysler (detentora da Chrysler, Dodge e Jeep) e o consórcio que a detém - a Cerberus - pode não conseguir a operacionalidade para 2009 e ter que avançar para o sistema de demissões voluntárias.

Recordo que o governo norte-americano recusou-se a emprestar 10 mil milhões de dólares necessários para a fusão entre a Chrysler e a GM que decorria em conversações, entretanto canceladas.

A GM (e a Ford também) está desesperada que o governo norte-americano se decida a injectar uns bons milhares de milhões de dólares para garantir a subsistência do grupo que detém marcas como a Opel, a Chevrolet, a Saturn, a Cadillac, a Saab, entre muitas outras de que não precisa.

Eu acredito que é o que irá acontecer mais cedo ou mais tarde. A General Motors é uma das entidades que assegura as pensões de milhões de americanos. A falência desta empresa significaria uma crise mais violenta e devastadora do que a "perda" de um banco norte-americano. Será provavelmente e inevitavelmente, o Governo a salvar este gigante.

Há algumas horas, o Deutsche Bank avaliou as acções da GM em... zero, e aconselhou o grupo a vendê-las o quanto antes pois não acredita na viabilidade do grupo. Por sua vez, o Barclays avaliou as mesmas com um "target" de um dólar.

Esperem pelos próximos episódios...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

[Ford, GM, Chrysler] Eu não queria dizer isto, mas... «Eu avisei!...» - Capítulo 2



Eu não queria dizer isto, mas... Eu avisei.

A Ford e a General Motors exigiram ao Governo norte-americano que lhes seja injectado com urgência 25 mil milhões de Dólares. Que significa isto (depois do artigo que publiquei há quase 1 mês)?

Significa que as vendas de automóveis nos E.U.A. caíram 32% no mês passado para o valor mensal mais baixo de... 1911!!! Relembro que o pioneiro da estandardização, o Ford T, fez agora 100 anos e que 1911 foi um dos primeiros picos de produção deste modelo.
Significa também que o mercado de automóveis norte-americano enfrenta as maiores dificuldades desde 1982.

Por sua vez, intensificam-se os rumores de que as negociações de uma fusão entre a GM e a Chrysler estão a correr sobre água e que estão a fazer os possíveis para que aconteça rapidamente.
Caso se realize, irá haver uma grande reestruturação do espólio dos grupos e, inevitávelmente, um grande rol de milhares de despedimentos.

É a crise nos E.U.A. a dar sinais de que vai abalroar os gigantes mundais - americanos - da indústria automóvel. Se alguma destas 3 falir (principalmente a Ford e a GM), preparem-se para rezar porque muita cabeça e muita empresa, banco, fábrica irá rolar atrás (e não só nos E.U.A.)...

UPDATE: Acabei de ler num fórum de que corre o rumor de que a GM não sabe se tem dinheiro suficiente para sobreviver por poucos meses...